O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, criticou hoje a postura da Arquidiocese do Recife, que ameaça entrar na Justiça para proibir a distribuição de anticoncepcionais de emergência, conhecidos como pílulas do dia seguinte, pela prefeitura da capital pernambucana. “A prefeitura está certa e a Igreja está equivocada”, afirmou o ministro, em entrevista após o lançamento da campanha de prevenção à Aids, que vai distribuir quase 20 milhões de preservativos durante o carnaval.
“É uma questão de saúde pública, não uma questão religiosa. Lamentavelmente a Igreja, cada vez mais, se afasta dos jovens com esse tipo de postura”, comentou Temporão. Segundo o projeto da prefeitura de Recife, as pílulas serão entregues a mulheres que declararem, a médicos de plantão, que tiveram relações sexuais e que suspeitam de falhas nos métodos contraceptivos normais. A Arquidiocese do Recife classificou a proposta como “aberração”. “O Ministério da Saúde apóia e suporta a medida”, reforçou o ministro. CorreioWeb
Ao lermos notícias assim, quase acreditamos estar em um Estado laico, mas como Mário Leal defende em seu artigo:
“Por outro lado, a noção de pais laico no Brasil é passível de uma visão crítica, pois os privilégios concedidos à Igreja Católica ainda são visíveis a olho nu e demonstram que essa hipótese ainda precisa ser redefinida.
Sobre a força normativa do referido preâmbulo, percorrendo o conceito de Estado laico, se faz necessário que façamos uma profunda reflexão quanto ao possível desrespeito à minoria não religiosa ou de religiões incompatíveis com o catolicismo.
Se isso não bastasse, muitos são os feriados nacionais, estatuais e municipais por conta dos dias dedicados aos santos da Igreja Católica. ”